Não é a dessacralização da sétima arte, pelo contrário, é uma verdadeira declaração de amor ao cinema, pois potencializa o que lhe é mais seu: a linguagem.
A proposta é fazer realmente um filme de ficção: personagens, plots, cenas, planos, cenários, figurinos, fotografia, som direto, montagem, tal qual qualquer narrativa cinematográfica, mas com o frescor e a graça do ao vivo.
A captação, edição e exibição são simultâneas: câmeras na mão, em diferentes locações acessíveis ao público, transmitindo ao vivo para um computador, com edição em tempo real, que projeta o filme na tela de cinema.
Qualquer filme é uma arte do tempo presente. Quando a câmera é ligada, só é registrado o que acontece naquele momento. O CineVivo valoriza esse momento mágico capturado como único, que só deverá ser refeito numa nova apresentação.
Esse novo formato explicita o processo. Permite que o criador modifique sua obra constantemente. O filme não está fossilizado em uma película, disco ou fita, mas está num fluxo, em contínua mutação. Em cada apresentação, um filme diferente.
CineVivo pressupõe a "inclusão cultural" na assepção do termo: A arte invadindo o bairro, tal qual o bairro invandindo a arte, transformando tudo em uma coisa só.
Essa mistura entre realidade e diegese torna o filme mais orgânico. A interferência e a improvisação do ao vivo potencializam o pacto de ilusão de realidade existente entre os espectadores e a obra cinematográfica.
Durante cada apresentação do CineVivo, temos a oportunidade única de transpirar cinema por todos os poros.
E tenho certeza que será uma experiencia tão divertida para o público quanto é para todos nós da equipe e do elenco.

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